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International Women’s Day vs. Mozambican Women’s Day

Today is celebrated the International Women’s Day, because, in 1910, in Denmark, it was decided to pay tribute to the women who, on March 8th 1857, went on strike at a textile factory, in New York, for working 16 hours a day and being paid less than a third of what the men were paid. On that night it was declared a fire on the factory and about 130 women were burned to death. That is why the International Women’s Day is celebrated; to recall the importance of women’s role and dignity and to contest and review prejudices and limitations that have been imposed on women all over the World, and for so many centuries.

I understand why this day is celebrated, but that doesn’t mean that I am totally in favor: I don’t think it should be needed a day to remember the world of women’s role and dignity; a woman is a woman every day, not just a day per year and, for that reason, her role, dignity, values, rights should be recalled every day of the year, not just in one.

I take this opportunity of talking about International Women’s Day to talk about the reality where I am inserted right now: here in Mozambique, on April 7th, it’s celebrated the Mozambican Women’s Day (in a month, women here will be celebrating). The typical mozambican women wakes up early, takes care of the “machamba”, comes back home, watches over the kids, takes care of the house and cooks the meals; when the husband gets home she also takes care of him, doing everything he asks her; most of the times, he beats her up (who, most of the times, arrives drunk) and when someone tells her to report the physical aggression to the police, she answers “I won’t, because it’s tradition (being beat up by the husband)”. All year, the mozambican women’s life is like that (I’m not saying all the women live like that, I’m just talking about the typical one). Except on Mozambican Women’s Day: on that day, that is once a year, women can do everything that comes to their heads. On that day, women may choose not to take care of the “machamba”, not to watch over the kids, go out without wearing the typical clothes, get drunk, party, beat up their husbands, and even kill them (a lot of them kill their husbands, because they can’t stand being beaten up every day anymore, so they “explode” – attention, nothing justifies violence, much less homicide), because they won’t be judged by the authorities. On that day, husbands are afraid of their wives.

That is, the mozambican women only have one day to enjoy their freedom for an entire year (obviously that I keep on not agreeing with the homicides).

I’m saying this to show that we celebrate the International Women’s Day to recall the women’s rights, but the truth is that gender equality is far from becoming a reality, everywhere around the World, unfortunately.

Uma Visita ao Mosteiro

No Sábado à tarde, dia 3 de Março, fui com o irmão José até ao Mosteiro Mater Dolorosa, para fazermos um favor que a irmã Maria José nos pediu: falar com as irmãs do Mosteiro e pedir-lhes emprestados uns livros de português, pois a irmã Maria José agora dá aulas na Universidade Católica de Moçambique – Extensão Lichinga.

A caminho do Mosteiro, apanhei um enorme susto: o capim está grande, por causa das chuvas, então uma criança, de cerca de 4 anos, apareceu de repente, vinda do capim, metendo-se mesmo à frente do carro; mais 2 segundos e tinha sido atropelada e eu tinha tido um ataque cardíaco. É um perigo as crianças andarem sozinhas ao pé de estradas onde passam carros, principalmente porque não foram ensinadas a olhar para um lado e para outro, para ver se vem algum.

Chegando ao Mosteiro, e depois do susto, aproveitei para tirar umas fotografias da paisagem, que é muito bonita, mas que não se vê bem nas fotografias, pois as plantações de milho estão muito altas, dificultando a visibilidade da paisagem mais longínqua.

Ontem eu, o Dom Elio e o irmão fomos almoçar a casa das irmãs da Cerâmica, que têm sempre sobremesas muito boas. A irmã Albertina pediu-me que fosse ver um dos computadores, que estava sem Internet. Depois de lhes resolver o problema, eu, o Bispo e o irmão José regressámos a casa.

E é tudo por hoje.

Visiting the Monastery

On Saturday afternoon, March 3rd, brother José and I went to the Monastery Mater Dolorosa, to do sister Maria José a favor she asked us: talk with the sisters from the Monastery and ask them to lend her some portuguese books, because sister Maria José is now a teacher in Mozambique’s Catholic University, in Lichinga.

On the way to the Monastery, something really scared me: the grass is high, because of the rain season, so a little boy, who was probably four, showed up out of nowhere, coming from the grass, and got right in front of the car; two seconds more and we would have ran over that kid and I would have had a heart attack. It’s really dangerous for the kids being out there alone near the roads, especially because they weren’t taught to look both ways and see if a car is coming.

When we got to the Monastery, after that scare, I took the chance to take a few pictures of the landscape, which is beautiful, but unfortunately we can’t see it that well on the pictures, because the cornfields are too high, making it difficult to see the further landspace.

Yesterday Dom Elio, brother José and I had lunch at the Cerâmica’s sisters’ house, where there are always nice desserts. Sister Albertina asked me to fix a problem in one of their computers, because it had no Internet. After solving the problem, we got back home.

And it’s all for today.

Organizar as Inscrições dos Meninos da Escolinha

Já se passaram quase quatro semanas desde o meu último post. Peço desculpa por isso. Mas a verdade é que o que tenho feito não tem variado, e portanto não achei que seria interessante fazer um post mais cedo, podendo agora contar o trabalho que tenho tido nestas últimas quatro semanas.

Depois de eu e a irmã Maria José termos estado a dar a formação aos monitores, as aulas na escolinha começaram logo na segunda-feira seguinte, dia 6 de Fevereiro. Supostamente, nessa data, já todas as crianças deveriam estar inscritas e as turmas finalizadas, mas há sempre pais que vêm apenas inscrever os seus filhos já quase no final de Fevereiro (e mesmo no mês de Março…).

Assim sendo, a função que estive a desempenhar durante estas semanas começou logo nesse dia: organizar as folhas de inscrição, tanto as novas, bem como as antigas. Porque a papelada da escolinha estava uma confusão, devo confessar.

Comecei por organizar as novas inscrições e colocá-las todas num dossier, separando os meninos por idade. Parece uma tarefa fácil, mas a verdade é que às vezes dá vontade de bater com a cabeça nas paredes, pois muitos pais não colocam a data de nascimento do filho, apenas a idade (que, na maioria dos casos, não corresponde com a verdadeira idade da criança), outros colocam mal a data de nascimento, fazendo com que a criança seja mais velha um ano (e, em alguns casos, dois!) e outros até falsificam a data de nascimento do filho na própria cédula de nascimento; isto tudo para os meninos ficarem numa sala de idade mais avançada, serem finalistas mais cedo e irem para a escola primária com cinco anos (alguns casos, mesmo com quatro), pois acham que aprendem mais depressa se começarem mais cedo… Então, acreditem ou não, organizar o dossier por idades foi uma tarefa que demorou, pelo menos, cinco manhãs (uma semana inteira, pois só costumo ir à escolinha de manhã). E, mesmo assim, ainda falta confirmar algumas datas de nascimento.

Depois de ter tudo organizado por idades, coloquei as folhas de inscrição por ordem alfabética em cada separador, para ser mais fácil procurar e encontrar as crianças e comparar as novas folhas de inscrição com as antigas.

Havia meninos que tinham renovado a matrícula, então já existiam folhas de inscrição antigas dessas crianças. Mas, como este ano a irmã Maria José decidiu, e muito bem, fazer-se folhas de inscrição novas, eu peguei nas antigas, vi quem é que tinha renovado a matrícula e quem não tinha, e arquivei todas as folhas antigas, dividindo-as em três grupos: as folhas de inscrição das crianças que foram finalistas o ano passado, as das crianças que renovaram a matrícula e as das crianças que não renovaram a matrícula. Coloquei tudo por ordem alfabética, caso fosse necessário procurar alguma folha de inscrição.

O que mais me deu gozo de fazer este trabalho foi de ver os nomes dos meninos; a maioria tem o seu nome próprio, por exemplo Sheila, e depois fica sempre com o nome completo, ou quase completo, do pai; por exemplo, se o pai de chamar Artur Saíde, sendo “Artur” o nome próprio, a criança vai chamar-se Sheila Artur Saíde. Isto não acontece em todos os casos, mas na grande maioria.

O nome que mais me chamou à atenção foi de um menino chamado Júnior Natal, cujo pai se chamava Feliz Natal! Achei o nome do pai simplesmente brutal.

Para além de andar a organizar a papelada (que não era pouca), estive a fazer as listas de presença de cada sala e a folha das mensalidades.

Quando for à escolinha na próxima semana, de certeza que terei inscrições novas para colocar no dossier, fazendo com que tenha de acrescentar os nomes desses meninos nas listas.

No primeiro dia da escolinha havia muitas crianças a chorar, então a irmã esteve a distribuir rebuçados:

Foi bom ver que a maioria dos meninos já põe os papéis dos rebuçados no caixote do lixo, pois aqui é cultural mandar o lixo para o chão (não existem caixotes do lixo na rua e também praticamente não existem contentores… o lixo é amontoado na rua, num sítio qualquer, e, mais tarde, queimado):

O trabalho no secretariado também tem corrido bem: já temos o anuário praticamente terminado e até temos colocado alguns documentos, fotografias e notícias no blogue da Diocese.

Organizing the Kindergarten’s Children’s Registrations

It’s been almost four weeks since my last post. I apologize for that. But the truth is that what I’ve been doing doesn’t change much and, therefore, I didn’t think it was interesting to post anything sooner. So now I can write about all the work I’ve been doing in these past four weeks.

After sister Maria José and I had been providing training for the monitors, the kindergarten opened for the kids on the next Monday, February 6th. All the kids were supposed to be already registered by then, and all the classes finished, but there are always parents that forget to register their children, ended up doing that only by the end of February, or even March.

So, the role I’ve taken for these past weeks started immediately on that day: organizing the registrations papers, the new ones as well as the old ones. Because all those papers in the kindergarten were a mess, I must confess (it rhymed, awesome!).

I started by organizing the new registrations and file them, separating the children by age. It looks like an easy task, but the truth is sometimes I feel like hitting my head against the wall, because a lot of parents don’t write their children’s birth date, only their age (which, most of the times, doesn’t correspond with the real age of the kids), others write the birth date wrong on purpose, to make the kids older than they are and others even fake the birth date on the birth certificate; all of this happens so that the kids stay in a more advanced classroom than they should, become finalists earlier and go to the primary school younger (with five or even four years old), because the parents think this children will learn more and faster if they start earlier… So, believe me or not, organizing all those files by age was a task that took me a lot of time, at least five mornings (a whole week, since I only go to the kindergarten in the mornings). And there are still a few birthdates left to confirm!

After organizing everything by age, I put the registration papers by alphabetical order, so it was easier to look and find the kids and compare the new papers with the old ones.

There were kids who had renewed their registration, so there were old papers of those registrations. But this year, sister Maria José decided to make new ones, so I took the old ones and archived them, divided in three groups: the registration papers of those who had been seniors last year, of those who renewed the registration and of those who didn’t renew the registration. I organized everything by alphabetical order, just in case we needed to look for one of the papers.

What gave me the most joy of doing this work was seeing the kids’ names; most of them has their name, for example Sheila, and then they always get their father’s complete, or almost complete, name; for example, if the father’s name is Arthur Saide, being “Arthur” the name and “Saide” the surname, the children will be named Sheila Arthur Saide. This doesn’t happen with every single kid, but it happens with most of them.

There was a name that really caught my attention: a boy named Junior Natal (“Natal” means “Christmas” in portuguese), whose father’s name was Feliz Natal (“Merry Christmas” in portuguese)! I found the father’s name simply epic.

Besides organizing all the paper work, I decided to create lists with the names of the kids for each classroom.

When I get to the kindergarten next week, I’m sure I’ll have more registrations to file, therefore more names to add to the lists.

On the first day of the kindergarten, there were a lot of kids crying, so sister Maria José gave them candies:

It was nice to see that most of the kids are able to put the garbage papers in the waste bin, because here is part of their culture to throw the garbage to the floor (there are no garbage bins on the street… the garbage is all put on the floor, in the middle of the street, and then later burned):

The work we’ve been doing in the secretariat has been fine as well: we have the yearbook almost finished and we’ve been putting documents, pictures and news on the blog.

Uma Semana de Formação aos Monitores

Desde que cheguei de Cuamba que tenho vindo a fazer várias coisas aqui em Lichinga, mas não tenho escrito no blogue, para as poder acumular todas num só post.

Para além de ter andado a comprar roupa e material escolar (que, no início, seria para enviar para o Cobué, tendo essa proposta sido recusada, estando eu, então, ainda a decidir o que fazer com todas as coisas que já comprei para os meninos), com a ajuda da Mafalda e do Luciano (paguei-lhe a matrícula da escola, como forma de agradecimento, por nos ter andado a ajudar a comprar roupa e a carregar os sacos), estive a trabalhar no anuário da Diocese, bem como na revista “Comunidades do Niassa”. A revista foi, finalmente, finalizada na quarta-feira, dia 1 de Fevereiro, pois ainda estivemos à espera que nos enviassem artigos, estivemos a corrigir todos os erros ortográficos (que não são poucos, pois para a revista contribuem pessoas de várias nacionalidades: italiana, espanhola, moçambicana, angolana e portuguesa) e estivemos a formatar o documento Word, para imprimir.

Durante os fins-de-semana, eu, o Felipe e a Mafalda aproveitámos para ir visitar a machamba da irmã Ferreira (uma das maiores aqui de Lichinga, se não mesmo a maior), que foi um projecto construído para ajudar os mais pobres, que vinham pedir ajuda aqui a casa do Bispo; trabalhavam para a irmã naquela machamba e, em troca, recebiam ordenado e alimentos. Também fomos até à Translândia (o tal sítio que tem o avião do Papa) e visitámos as irmãs do Mosteiro, que também têm um terreno grande e machamba. Para além disso, elas têm lá um orfanato, onde acolhem várias meninas. Será provavelmente aqui onde deixarei uma parte da roupa e do material escolar que comprei para o Cobué.

Durante esta semana que passou (de 30 de Janeiro a 2 de Fevereiro), com excepção para a quarta-feira, dia 1, devido a vários imprevistos, e para sexta-feira, que foi feriado, eu e a irmã Maria José estivemos a dar formação aos monitores, auxiliares e cozinheiras (mamãs) da escolinha, de forma a melhorar a educação e higiene dos meninos.

Na segunda-feira, enquanto a irmã Maria José esteve a atender pessoas na secretaria da escolinha, eu estive a ensinar aos monitores, auxiliares e cozinheiras como eles deviam ler histórias aos meninos, bem como depois fazer perguntas, pois as crianças gostam muito de ouvir histórias e essa é uma das muitas coisas que não se fazem nesta escolinha e que é preciso fazer. Dividi-os em três grupos, onde cada grupo tinha de ler uma história, memorizá-la e depois contá-la a mim, à irmã Maria José e ao resto dos grupos, da forma mais original e dinâmica possível. A verdade é que memorizaram bem as histórias, mas faltou originalidade em todos os grupos, quando foi a hora de contar a sua história: houve apenas uma pessoa de cada grupo a contar a história resumida e todos os grupos fizeram isto igual. É algo que ainda vamos ter de trabalhar ao longo do ano escolar: a expressão dramática.

No dia seguinte, foi o dia em que estivemos a dar formação de expressão plástica. A primeira parte da formação foi dada por mim e a segunda pela irmã Maria José. Eu comecei por trabalhar com eles os desenhos: que desenhos podiam fazer para os meninos imitarem e colorirem e que desenhos podiam eles desenhar para os meninos preencherem com papel, colorirem, entre outras técnicas. Disse-lhes que podiam, também, desenhar as próprias mãos, contornando-as com lápis ou caneta, desenhando posteriormente anéis, pulseiras e outras coisas que quisessem. No final da primeira parte da formação, fiz com que eles trabalhassem a sua imaginação: “desenhem um leão”. Ao início começaram a dizer que não sabiam desenhar sem copiar por outro desenho, mas acabaram por fazer desenhos bem engraçados. Gostaram tanto que mostravam uns aos outros e riam-se! Eles têm muitas capacidades, que podem ser trabalhadas aos poucos, fazendo com que os meninos possam ter mais actividades para fazer enquanto estão na escolinha. Vamos ter de explorar isto melhor, de 15 em 15 dias.

Depois de fazerem um pequeno intervalo para comer e descansar, como podemos ver nesta fotografia:

Foi a vez da irmã Maria José dar formação. Pô-los a trabalhar com legos, a fazerem as suas próprias construções. Houve construções mais trabalhadas, outras um pouco mais preguiçosas, mas no geral até correu bem. Ainda há muito trabalho pela frente, mas para começar não está mau.

Na quarta-feira não foi possível haver formação, pois a irmã teve de resolver uns problemas relacionados com as obras que estão a ser feitas na escolinha neste momento, de maneira que aproveitei esse dia para terminar a revista e imprimi-la.

Na quinta-feira tivemos o último dia de formação, pois ontem foi feriado (em Portugal estão a acabar com feriados, aqui estão sempre a arranjar feriados novos…). A irmã Maria José ficou com a primeira parte da formação, onde se falou de saúde, higiene e limpeza, bem como das faltas justificadas e injustificadas dos trabalhadores da escolinha.

Faz parte da cultura deles irem ao funeral quando morre alguém da família ou um vizinho. Sempre que isso acontece, faltam ao trabalho para poder ir ao funeral e enterro. O problema é que aqui morrem familiares/vizinhos/conhecidos pelo menos uma vez por mês (muitas vezes mais do que uma vez), então os trabalhadores acabam por faltar muitas vezes, ficando os meninos com menos pessoas para tomar conta deles. A direcção da escolinha decidiu que tinham de acabar com isto, compreendendo a cultura deles, claro, mas sugerindo que fossem ao funeral fora da hora de trabalho. Houve algumas contestações, como é normal (aqui quanto menos se trabalhar, melhor…), mas a decisão final ficou bem percebida e estabelecida.

Depois de fazerem um pequeno intervalo, estive a dar-lhes formação de expressão musical.

Ensinei-lhes duas músicas com gestos, pois as canções com gestos são as que, normalmente, cativam mais as crianças, fazendo com que todas participem. Eles gostaram, participaram e riram muito, pois à medida que avançávamos nas canções, começávamo-nos a enganar. Ofereci-me para, de vez em quando, ir às salas cantar com eles e com os meninos e eles gostaram da ideia. Ao longo do ano irei ensinar-lhes mais canções, mas, por enquanto, ficámo-nos pelo “Aram Sam Sam” e o “Carro do Meu Chefe”.

No geral, acho que esta semana de formação correu bastante bem, apesar de ainda haver muita coisa que tem de ser bem trabalhada. Mas vai sendo, aos poucos.

Hoje de manhã estive a ajudar a irmã Maria José a enfeitar as salas da escolinha, pois segunda-feira já começam a vir os meninos e convém estar tudo preparado e em ordem.

A Week of Training for the Monitors

Since I arrived from Cuamba that I’ve been doing a lot of things here in Lichinga, but I haven’t written on the blog, so that I can accumulate them all in just one post.

Besides buying clothes and school supplies (which were supposed to be for the kids in Cobué at first, but that suggestion was denied, so I’m still thinking what I’m going to do with all the things I bought), with the help of Mafalda and Luciano (I paid him his school enrollment, as a way of thanking him for helping me buying all the clothes and carrying them), I spent a lot of time working in the Secretariat, specially on the magazine, which was finally finished on Wednesday, February 1st. We spent a lot of time waiting for people to send us their articles and then we still had to correct all of them (I must say that there are a lot of mistakes in those articles, because they are written by people from different nationalities: italian, spanish, mozambican, angolan and portuguese) and then print the magazine.

During the weekends, Felipe, Mafalda and I took the chance to visit sister’s Ferreira “machamba” (one of the biggest here in Lichinga, if not the biggest), which was a project built to help the poor who used to come here to the Bishop’s house and ask for food and help; they came to work for sister Ferreira in her “machamba” and instead they would receive food and get paid. We also went to Translândia (that place which has the Pope’s plane) and visited the sisters from the Monastery, who also have a big land and a “machamba”. Besides that, they also have an orphanage, where they shelter several young girls. It will be probably here where I’ll leave a part of the clothes and school supplies I bought for Cobué.

During this past week (from January 30th to February 2nd), with an exception for Wednesday, because of several unexpected problems, and for Friday, because it was a holiday, sister Maria José and I provided training for the kindergarten’s monitors, assistants and cooks, in order to improve the kids’ education and hygiene.

On Monday, while sister Maria José was attending people, I was teaching the monitors, assistants and cooks how they should read stories to the kids, as well as they should do to ask them questions about the story, because kids really like to hear stories and that is one of the things that are not done in this kindergarten and should be done. I divided them in three groups and each one of the groups had to read a story, memorize it and then tell it to me, sister Maria José and the rest of the groups, but being as original and dynamic as possible. The truth is that they could memorize pretty well the stories, but there was a lack of originality in all of the groups, when the time to tell the story came: only of the members of the group would tell the story and all the groups told the story this way. It’s something we’ll still have to work on throughout the scholar year: dramatic expression.

On the next day, it was the day where we provided training for plastic expression. The first part of the training was provided by me and the second one by sister Maria José. I started by working with them on the drawings: what drawing could they draw on the board, so that the kids could imitate and color their own way, and also what drawing could they draw for the kids to color or fill in their own way, besides other techniques. I told them they could also teach them how to draw their own hands, rounding them with a pencil or a pen, and then drawing rings or bracelets. In the end of the first part of the training, I made them work their imagination: “draw a lion”. At first they started saying they couldn’t draw a lion using their own heads and without copying, but they ended up drawing some pretty cool lions. They liked them so much, they would show it to each other and laugh! They have a lot of capacities that can be worked out, so that the kids can have more activities while they are in the kindergarten. We will have to explore the capacities over the next months.

After taking a little break to eat and rest, as you can see on this picture:

It was sister Maria José’s time to provide them training. She put them working with legos, doing their own constructions. Some of the constructions were well worked up, some others a little lazy, but in general it went okay. There’s still a lot of work to do, but for a starter it’s not bad.

On Wednesday it wasn’t possible to provide them training, because sister Maria José had to solve a few problems kindergarten’s construction related. So I took the chance to finish the magazine and print it.

On Thursday it was the last day of training, because yesterday it was a holiday. Sister Maria José started the training by talking about health, hygiene and cleaning, as well as about the absences of the workers.

It’s part of their culture to go to the funeral when someone of the family or a neighbor dies. Every time that happens, they miss work. The problem here is that people they know die at least once a month (sometimes even more than just once), so the workers end up missing work very often, leaving the kids here to stay with less people taking care of them. The kindergarten’s direction decided that this had to end, while understanding their culture, of course, but suggesting them to go to the funeral outside their work time. Some of them protested, but this was the final decision.

After taking a little break, I provided them musical expression training.

I taught them two songs with gestures, because those are the kind of songs kids pay more attention to, making them all participate. They all liked the songs, participated and laughed a lot, because sometimes we would all make mistakes. I offered myself to, once in a while, go to their classrooms and sing with them and the kids and they liked that idea. Throughout the year I will teach them more songs but, for now, I only taught them those two songs.

In general, this week of training went really well, even though there are a lot of things that we really have to work on. We’ll do it, slowly.

This morning I helped sister Maria José decorating the kindergarten’s classrooms with flowers and butterflies, because next Monday the kids will start to come again and everything has to be prepared and in order.