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Os Últimos Dias Em Moçambique

May 1, 2012

Para quem ainda não sabe, já estou de regresso a Portugal. A minha intenção original era ficar em Lichinga durante 12 meses, mas como os meus avós faziam 50 anos de casados dia 23 de Abril, eu decidi voltar mais cedo e surpreendê-los. Mas antes de falar sobre essa surpresa, vou escrever sobre os últimos dias que passei em Moçambique.

Depois de eu e a Catarina termos dado as roupas aos meninos da escolinha do Sorriso e às meninas órfãs do Mosteiro, entrámos na semana de Páscoa. Fomos à celebração do lava-pés na Quinta-feira Santa, na sexta-feira foi a Via Sacra e no Domingo de manhã fomos à missa de Páscoa. O nosso almoço de Páscoa foi bem diferente ao que estou acostumada: tínhamos na mesa pizza e frango assado com batatas fritas em vez de leitão e cabrito.

Durante essa semana continuei a trabalhar no secretariado e na escolinha, preparando a próxima revista no primeiro e ajudando a organizar o dossier das inscrições dos meninos na segunda.

Na sexta-feira, dia 13 de Abril, eu e a Catarina fomos ajudar a irmã Lourdes e a irmã Blandina a descascar batatas para o almoço dos presos que se iria realizar no dia seguinte. Também foram ajudar as outras leigas que trabalham na escolinha da irmã Ferreira, outra Catarina e a Patrícia:

Então, no dia seguinte, lá fomos nós até à prisão, para assistir à celebração da Páscoa que se iria lá realizar, tendo em conta que não poderíamos ficar para o almoço. Aqui está uma fotografia dos prisioneiros sentados, durante a celebração:

Fui muito tocante a visita à prisão, pois os presos passam lá muita fome, muitos são leprosos, tuberculosos e têm SIDA… é mesmo impressionante. Muitos dos que lá estão já terminaram a sua sentença, mas nem sabem e também ninguém lhes diz, por isso continuam lá injustamente. Já para não falar que as condições são péssimas.

A 15 de Abril, o último Domingo que passaria em Moçambique, eu, a Catarina, o Zé e a Ana fomos passear até ao Lago Niassa. Eu tencionava tomar banho, mas estava muito vento e muitas ondas, fazendo com que a temperatura não fosse das mais agradáveis. Então estivemos apenas a apanhar banhos de sol.

Aqui esta uma fotografia da paisagem do lago:

Uma de um embondeiro bastante peculiar:

Uma minha no lago, tirada pela Catarina:

E outra de nós as duas:

Depois fomos almoçar (eles comeram peixe e eu comi frango) e a Catarina tirou-nos uma fotografia, a mim, à Ana e ao Zé, enquanto estávamos à mesa:

Perguntámos se eles tinham café e eles disseram que sim, então a Catarina e a Ana pediram dois cafés. Passado um bocado apareceu o senhor do restaurante a dizer que o café estava dentro do armazém e que o senhor que tem a chave não estava, mas que eles já tinham entrado em contacto com ele para ele vir trazer a chave, e que portanto o café já vinha. Entretanto trouxeram as chávenas, o bule com água e o açúcar:

Mais tarde voltaram a dizer que, afinal, não tinham café! Isto é mesmo para rir!

A nossa visita ao Lago acabou em grande: até os babuínos e os macacos vieram despedir-se de mim! Uma família inteira de babuínos atravessou a estrada quando íamos a passar. Nesta fotografia apanhei um deles, porque eles vinham um de cada vez, não todos ao mesmo tempo:

E apanhámos, também, uns macaquinhos a comer à beira da estrada:

Na terça-feira, dia 17 de Abril, eu, as outras duas Catarinas e a Patrícia fomos até ao mercado de Chiuaula, o maior mercado ali de Lichinga, ou, pelo menos, dos que eu conheço. Aqui estão algumas fotografias de roupas, calçado e sacos de plástico em exposição no mercado:

Na quarta-feira de manhã fui até à escolinha, para me despedir dos monitores e das cozinheiras. E dos meninos também, claro. Depois almocei com as irmãs teresianas, mas apenas com a irmã Maria José e a irmã Tecla, pois a irmã Carolina encontrava-se em Maputo a tratar do seu passaporte e a irmã Juliana estava em Marrupa (se não me engano). Ofereceram-me uma taça e uma caixa em pau-preto, que eu gostei muito e já tenho ali no meu quarto a enfeitar.

Depois fui até casa das irmãs doroteias, para dar os parabéns à irmã Ferreira, que fazia 82 anos naquele dia. A irmã Lourdes também me ofereceu uma pulseira em pau-preto, que eu também tenho guardada ao pé das prendas que as irmãs teresianas me deram. Lanchei em casa das irmãs doroteias, com a Catarina, a Ana e o Zé, onde comemos os morangos da irmã Ferreira, que são muito bons. Ou seja, quarta-feira foi um dia em que estive muito ocupada e sempre fora de casa; o que me valeu foi já ter a mala feita!

Na quinta-feira de manhã despedi-me de todos lá em casa (Aíde, Rosa; do Meni despedi-me no dia antes, porque ele estava de férias) e depois vieram levar-me ao aeroporto o irmão José, a irmã Maria José, a Catarina, a Ana e o Zé. Do Dom Elio já me tinha despedido no Sábado anterior, pois ele foi para Maputo nesse dia (acabei por voltar a encontrar-me com ele em Maputo, quando lá estive). Enquanto estávamos no aeroporto à espera da hora de embarque, apareceu a irmã Ferreira com uma taça de morangos para mim. Foi um momento bastante inesperado e comovente, não estava mesmo nada à espera que uma velhotinha de 82 anos fosse ao aeroporto de propósito levar-me uma taça dos melhores morangos do mundo. Foi um momento muito bonito.

Cheguei a Maputo e o padre Ruffini foi buscar-me ao aeroporto. Comecei a sentir-me um bocado constipada e cansada, então fui descansar um pouco.

No dia seguinte (20 de Abril) acordei às 6h da manhã para ir com o padre Abel ao seminário, ao encontro episcopal, onde estava o Dom Elio e onde se iria celebrar uma missa às 8h. Aproveitei para me despedir do Dom Elio, apesar de não me estar a sentir muito bem: estava constipada e sentia que tinha febre.

Antes de chegarmos ao seminário, o padre Abel levou-me a conhecer a casa dos padres dehonianos na Matola. Lá havia uma capela que tinha uma pintura muito bonita:

Depois lá fomos para o seminário, onde estive a conversar com o Dom Elio e onde foi a celebração. Aproveitei para tirar uma última fotografia com o Bispo de Lichinga:

Quando cheguei a casa fui logo almoçar e depois deitar-me, pois, apesar de ter tomado um comprimido, continuava a não sentir-me bem. Fui controlando a febre e vi que estava a aumentar. Comecei também a sentir-me fraca e com tremores, então liguei para a irmã Aila, que me disse que eu estava com malária. Eu pensei “que pontaria, um dia antes de apanhar o avião para me ir embora!”. Ela receitou-me uns comprimidos e fui até à farmácia com o padre Abel comprá-los. Regressei a casa e a febre atingiu os 39,5ºC e continuava a tremer e sem forças. Tomei logo os comprimidos e pus uma toalha com água fria na cabeça. Na hora do jantar senti-me melhor, mas depois voltei a piorar. Foi uma noite bastante complicada, essa noite. Não sei como, mas no dia seguinte acordei a sentir-me muito melhor (apesar de ainda estar muito fraca); devia ser a vontade de regressar para casa, apesar de já estar com saudades de Moçambique, sem ainda me ter ido embora.

De manhã fui ao hospital de umas irmãs (cuja congregação já não me lembro qual era, mas elas eram espanholas), para fazer o teste da malária. Quem me fez o teste foi a irmã Estrela. Este deu negativo, pois eu já estava a tomar os comprimidos para me curar, portanto seria quase impossível dar positivo.

Uma amiga da Catarina, Orlanda, foi muito simpática e veio visitar-me antes de eu ir para o aeroporto. Gostei muito de a conhecer e de falar com ela, apesar de ter sido apenas durante uns 15 minutos. Foi muito agradável.

Despedi-me dos padres dehonianos e o padre Ruffini veio levar-me ao aeroporto. Lá tive problemas com a minha bagagem de mão, pois pesava quase o dobro do permitido pela LAM, e com a minha bagagem de porão, pois tinha artesanato em pau-preto. Fui logo chamada para dizer o que tinha lá e os trabalhadores que controlam a bagagem começaram a meter-se comigo e a dizer para irmos beber um café juntos. Eu disse que tinha de me ir embora, então dei-lhes 100 meticais (o equivalente a cerca de 2,70 euros) e pedi-lhes o meu passaporte de volta. Lá me deixaram ir e embarquei.

A viagem foi muito longa, pois de Maputo a Joanesburgo o voo teve a duração de apenas uma hora, mas depois estive em Joanesburgo cerca de 5 horas à espera do voo seguinte. O que vale é que no primeiro voo conheci um rapaz chamado Hélio, que ia apanhar o mesmo voo que eu em Joanesburgo, então estivemos no aeroporto a conversar e a ver o jogo do Barcelona – Real Madrid. O voo seguinte foi o mais longo, de Joanesburgo para Amesterdão, que durou cerca de 11 horas. Estive duas horas no aeroporto de Amesterdão, onde aproveitei logo para comprar uma mala da Kipling e para conversar com a senhora da loja (estou a ficar como a minha avó…), e, por fim, apanhei o último avião, para Lisboa.

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From → Português

One Comment
  1. Luis Ramos permalink

    Boa tarde! Gostaria de saber se por um acaso estaria interessada em vender uma fotografia (mercado de Lichinga), para estar presente como background num outdoor publicitário!
    Aguardo resposta e obrigado!

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