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Dia Internacional da Mulher vs. Dia da Mulher Moçambicana

March 8, 2012

Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher, porque, em 1910, na Dinamarca, foi decidido homenagear-se as mulheres que, a 8 de Março de 1857, entraram em greve numa fábrica de têxteis em Nova Iorque, pois trabalhavam 16 horas por dia e recebiam menos de um terço do salário dos homens. Nessa noite foi declarado um incêndio na fábrica e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. É por esta razão que se comemora o Dia Internacional da Mulher; para relembrar a importância do papel e da dignidade da mulher e para contestar e rever preconceitos e limitações que têm vindo a ser impostos à mulher em todo o Mundo, e já por muitos séculos.

Compreendo porque se celebra este dia, o que não significa que seja totalmente a favor: acho que não deveria ser preciso um dia para relembrar o mundo do papel e da dignidade da mulher; a mulher é mulher todos os dias, não apenas um dia por ano, e, por isso mesmo, o seu papel, dignidade, valores, direitos deviam ser relembrados todos os dias do ano, e não apenas num.

Aproveito o Dia Internacional da Mulher para falar na realidade onde estou inserida neste momento: aqui em Moçambique celebra-se o Dia da Mulher Moçambicana a 7 de Abril (daqui a um mês estarão as mulheres daqui a celebrar). A típica mulher moçambicana acorda de manhã cedo, vai tratar da sua machamba, regressa a casa para tomar conta dos filhos, tratar da casa e fazer as refeições; quando o marido chega a casa, também trata dele, fazendo-lhe tudo o que lhe pede; muitas vezes, é agredida pelo marido (que muitas das vezes chega a casa embriagado) e quando alguém lhe diz que tem de ir reportar à polícia, responde “não vou, porque é tradição (ser agredida pelo marido)”. Todo o ano, a vida da mulher moçambicana (não estou a generalizar, estou a falar da mulher típica) é esta. Excepto no Dia da Mulher Moçambicana: neste dia, ou seja, um dia por ano, a mulher pode fazer tudo o que lhe vier à cabeça. Neste dia, a mulher pode não trabalhar na machamba, não tratar dos filhos, sair à rua sem capulana, embriagar-se, festejar, bater no marido e, até mesmo, matar o marido (o que muitas fazem, pois são agredidas todo o ano e acabam por ficar fartas e “explodir” – atenção, nada justifica a agressão, muito menos o homicídio), que não é julgada pelas autoridades. Neste dia, os maridos fogem das mulheres, com medo.

Ou seja, as mulheres moçambicanas têm um dia para gozar da liberdade que não gozam durante todo o ano (obviamente que continuo a não concordar com os homicídios).

Isto para dizer que celebramos o Dia Internacional da Mulher para relembrar os direitos das mulheres, mas a verdade é que a igualdade de género ainda está longe de se concretizar, um pouco por todo o Mundo, infelizmente.

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From → Português

4 Comments
  1. Desconhecia essa realidade que descreves, acerca da celebração do” dia da mulher”,aí no interior penso!…. É triste que no século xx1 ainda se verifiquem essas e outras práticas tão horríveis .

    Tenho acompanhado as descrições que fazes nos teus posts e estou a gostar muito .Desejo que tudo continue a correr muito bem.

    BJS.

  2. Jose A. Sousa permalink

    Olá,sobrinha,gostei.
    Senti, neste teu post, que começaste a utilizar realmente a tua arma (caneta/papel).
    Parabéns, contnua e beijinhos.

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